sábado, 21 de maio de 2011

Equipe


Desde a mais tenra infância, tive contato com essa tal de "equipe".
Nos folguedos, brincávamos de mocinho e bandido e, é lógico, tínhamos que escolher o lado e passávamos, então, a fazer parte da equipe de heróis ou de vilões.
E articulávamos as ações combinando verbalmente tudo o que estaria se passando em nossa imaginação, fator preponderante para o sucesso da brincadeira.
Depois, veio a escola e realmente, foi o único lugar de minha vida onde constatei que, efetivamente, equipe não funciona.
Fiz muitos trabalhos de equipe para a minha equipe.
Um porre.
Depois, já adulto, experimentei o uso da equipe profissionalmente em várias empresas. Mas em especificamente uma, pude notar o quão é importante e o quanto resolve uma equipe bem montada, bem treinada e afinada para alcançar objetivos.
Quando vejo, hoje, em algumas empresas, a centralização excessiva, o egoísmo de alguns, o medo atávico de perder o posto para outrem, a má vontade em repassar conhecimento aos menos experientes, a dicotomia entre chefias e chefiados, fico consternado.
Afinal, tudo isso que eu acabo de elencar, são fatores desagregadores e que praticamente eliminam a possibilidade de montagem de uma autêntica equipe.
Por outro lado, é tão bom realizar reuniões de trabalho onde cada um assume uma responsabilidade, não sem antes relatar aos demais os resultados de suas responsabilidades anteriormente assumidas, seus rumos e aproveitamento - porque vemos, com isso, que a equipe funciona de uma maneira mágica, produtiva, eficiente, quando há união, consenso, responsabilidade e objetivos comuns.
Numa equipe azeitada, não existe a figura da"cobrança" de tarefas e de obrigações.
Todo mundo sabe da sua, o que existe é a checagem de possíveis necessidades no decurso de sua realização, por parte dos colegas ou das lideranças, para que o trabalho chegue a bom termo.
Muitas vezes, aqueles que ocupam postos de comando, muito embora reconheçam fielmente o valor e a oportunidade de determinada ação de determinado comandado, esquecem-se de manifestar verbalmente ou por escrito esse reconhecimento, o que é lamentável, porque o ânimo da equipe pode ser revigorado pelo reconhecimento daquilo que, muito embora evidente, necessita ser destacado por seus superiores, para que faça seu efeito compensador e estimulante.
Ninguém gosta de ser mais um, um número ou um nome perdido no meio de muitos. Também aprecio muito lembrar de quando nosso trabalho dava um resultado positivo e relevante.
Nos abraçávamos, alguns gritavam, chegávamos a chorar de emoção pela tarefa muito bem, excelentemente cumprida.
Afinados na ação, afinados na comemoração.
Tenho saudade desse tempo.
Não éramos profissionais ligados a uma empresa, em busca da sobrevivência, realizando um trabalho comum.
Muito, muito mais que isso.
Éramos irmãos, solidários, afinados, lutadores e vencedores.
Tenho muito orgulho de ter tido, anos atrás, esse tipo de experiência.

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