A morte talvez seja a única maneira de minimizar essa brutal desigualdade que existe entre poucos privilegiados e o resto da Humanidade. Nada mais democrático do que, de um lado, a pobreza. E de outro, a morte.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Aquela senhora da foice...
A morte talvez seja a única maneira de minimizar essa brutal desigualdade que existe entre poucos privilegiados e o resto da Humanidade. Nada mais democrático do que, de um lado, a pobreza. E de outro, a morte.
sábado, 25 de maio de 2013
Boa Noite, Cinderela!
Estava de castigo no Hospital do Servidor Municipal. Cólicas renais me obrigaram a ficar no soro. E quando eles passam soro, é soro pra paciente nenhum botar defeito. Litros e litros. Certa manhã, entrou no PS uma garota muito bonita, vestida com umas roupas esquisitas e chorando muito. Ela chorava, arqueava o corpo (sentada) e apertava a barriga. E nada de ser atendida. Fiquei com dó e puxei conversa. E ela começou a contar. Queria ir numa balada. Uma amiga convidou para ir na Love Story, ali na República. Foram. Lá, se deixou encantar pela gentileza de um rapaz que ofereceu um gole de bebida para ela. E apagou. Voltou a si em frente ao Pronto socorro, dia amanhecendo, com uma terrível dor na barriga e sem saber o que aconteceu. Ela chorava, puxava as roupas para mostrar e dizia: "Olha aqui essas roupas horríveis. elas não são minhas. eu só uso roupa de marca e não essa porcaria." e chorava copiosamente, sempre se arcando de dor na barriga. Aí eu disse a ela: Minha filha, você foi vítima do "boa noite cinderela". Você nunca deve aceitar nem bebida nem comida de estranhos na noite de São Paulo. Eles colocam uma droga que se dá para pessoas que vão operar. Você continua falando, mas fica como se estivesse bêbada e depois, não lembra de nada nem do que fez, nem do que fizeram com você. É preciso muito cuidado com essas coisas. Eles poderiam até ter matado você! Nisso chega a mãe. Vê a filha naquele estado e começa a chorar. Como eu tenho uma filha da mesma idade, senti na alma aquele drama da mãe e chorei junto, mas quieto no meu canto. Depois fiquei imaginando o perigo de DST, gravidez indesejada e o trauma que fica. E pela dor que ela sentia na barriga, ou a droga que eram a ela detonou o estômago, ou o pior mesmo pode ter acontecido. Em seguida ela foi atendida e não mais a vi. Ficou só aquela angústia que ela me passou de não saber o que tinha acontecido, quem eram as pessoas com quem ela estava e o que fizeram com os pertences e a roupa dela. E pensei com os meus botões: hoje em dia, coisas aparentemente inocentes podem ser extremamente perigosas. E a garota deveria, sim, estar muito feliz por ter sido deixada toda arrebentada por dentro na porta do hospital, mas - viva!
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
O Tarado do Carnaval
Vinte e poucos anos, os hormônios efervescendo nas veias, peguei a loirinha e levei para o covil. O covil era um lugar alocado por um amigo, que pertencia à família dele, mas era abandonado e só a gente tinha a chave da porta da frente, em plena cidade. Em lá chegando, fui beijando aquela maravilha de menina. Seus também vinte e poucos anos, magrinha mas gostosa, me levaram à loucura. Quando comecei a entrar para as vias de fato, ela começou a soluçar e dizer:
"-O que que é isso que vc está fazendo comigo? Eu nunca fiz isso!"
De um lado fiquei mais excitado por saber que ela era virgem, mas de outro, minha consciência começou a me detonar. Vesti a roupa e fui embora.
Acabara-se o meu carnaval. Onde já se viu, um sujeito como eu, ser canalha a ponto de tirar a virgindade de uma garota só porque era uma baile de carnaval? Para mim, o carnaval acabou. A minha consciência determinara: "vc é um canalha, fique no seu lugar, na sua insignificância, seu tarado!"
Passado o carnaval, estou sentado no banco da praça da matriz, vendo o movimento. Vejo uma criança dos seus dois anos correndo pelas pedrinhas portuguesas do calçamento da praça; e de repente, ouço uma voz meio conhecida. "-Filhinho, não corre que você cai." Olhei. Era a loirinha virgem que eu evitara de desvirginar dias antes. Eu tinha contado a história para os meus colegas que estavam na praça naquele momento. Foi a salvação. Quando levantei para dar umas porradas nela, me seguraram. Meus amigos riam demais e isso me irritava sobremaneira. E ela foi embora, levando o pequerrucho que hoje, deve ter mais de 40 anos.
Ação e Reação
Estava sentado na sala, assistindo televisão. Alguém chamou pelo nome do lado de fora da casa. Quando olhou, levou um tiro fatal no meio da cara. Até hoje, um crime não solucionado. Sem testemunhas. Sem provas. Sem nada.
Ele era um cara ousado. De uma pequena empresa, fez um império. E para isso, comprou muito de um só fornecedor. Ficou amigo íntimo do diretor da multinacional que lhe fornecia mercadoria. Iam pescar no Araguaia juntos. Para as praias do nordeste juntos. E ele sempre gentil, sempre amigo, sempre leal, sempre legal. O norteamericano não sabia do perigo. Um dia, uma mega-compra de mercadoria. É arriscado, mas o amigo merecia essa moção de confiança. E concedeu o crédito. Milhões em mercadoria. Não deu outra. Todo o estoque foi vendido e nenhum tostão foi pago. O amigo gringo foi sumariamente demitido e voltou para os EUA. E a rede de lojas se consolidara com esse golpe monstruoso.
Ao comentar essa morte, um amigo conta outra história. "Ah, ele era assim mesmo. Meu velho pai é marceneiro. Ele pediu uma cozinha completa em fórmica. Meu pai fez. Quando entregou, ele disse que não iria pagar o preço combinado. Diante da insistência de meu pai, dizendo que se endividara nas lojas comprando material para fazer a cozinha, ele concordou em pagar a metade e mais nada."
Pensando com os meus botões, logo em seguida, cheguei a uma sombria conclusão. É claro que aquele assassinato era algo lamentável. Mas foi um fim muito procurado pela própria vítima.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Vidas Pilotadas
Um projeto de vida é como uma carta de navegação feita por um piloto de avião. Ele planeja tudo. De onde vai sair, onde vai chegar, pontos de apoio, alternativas, velocidade de cruzeiro, duração da viagem, quantidade de combustível e outros detalhes. Depois de partir, em pleno vôo, se ele programou ir para NE e defronte se forma uma grande tempestade, ele tem duas opções: ou escolhe um aeroporto alternativo, aterrissa e espera a tempestade passar, ou desvia fazendo um semi-círculo, à esquerda ou direita, para contornar a tempestade. Na vida, as coisas também são assim. O que planejamos para nós, são objetivos passíveis de adequações de percurso. E sonhos adiados são verdadeiras fatalidades: acontecem mesmo. Mudanças de rumos, troca de objetivos, saídas radicais, são também opções válidas nesse vôo gigantesco que é a nossa vida. E nessa pilotagem, há que se ter bom senso, paciência, saber renunciar momentaneamente a coisas programadas que não acontecerão e muita fibra, tenacidade, para não desistir e fazer um pouso forçado em meio a uma plantação qualquer. É preciso chegar ao aeroporto enunciado na nossa carta de vôo.
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
A importância do Doutorado
QUANDO SE TEM DOUTORADO
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e restas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera.(Linneu, 1758) No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.
QUANDO SE TEM MESTRADO
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.
QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.
QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.
QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.
QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO
Rapadura é doce, mas não é mole não!!!!!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Contos de Fadas Repaginados
O Ministério
Público, através da Promotoria da Infancia e da Juventude, vai ouvir na semana
que vem, o sudito que desobedeceu a ordem da madrasta má e poupou a vida da
menina Branca de Neve. Os promotores querem saber as circunstancias em que a
ordem para matar a garota foi dada e se houve aí um agravante do crime doloso. Segundo um
promotor que nâo quis ter seu nome publicado, a madrasta de Branca de Neve pode
ser enquadrada em vários artigos do ECA, Estatuto da Crianca e do Adolescente.
Ja o servidor que a deixou sozinha na floresta e matou um veado em seu lugar, deve responder por abandono de menor e também
por maus tratos e morte de animal da fauna silvestre, crime inafiançável. Além
disso, consta que corre em paralelo uma investigação no DEIC, porque o servo da
madrasta má não tinha porte de arma e nem registro da espingarda com a qual
cometeu o crime. Os anões estão em tratamento psiquiátrico, porque todos eles
ficaram com transtorno bipolar ao terem que ceder Branca de Neve em casamento para
o Príncipe.
Branca de Neve, que
desde esses eventos já tem numerosa família, cuida de uma ONG de preservação da
fauna silvestre e promove grandes festas beneficentes no palácio. E contrariando
o lugar-comum dos contos de fadas, o colunismo social comenta em todos os blogs
de fofocas, que Branca está traindo o Príncipe com seu personal-trainer. E para finalizar, a semana que vem também,
algumas Ongs GLBT intimarão os descendentes dos Irmãos Grimm, para saber se o
veado da história pode ser substituído por outro animal. As Ongs alegam que
tudo é válido, "desde que seja em prol da preservação da boa imagem da categoria,
dado que esse tipo de conto estimula a violência contra minorias."
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Suprimentos de Escritório
Por um breve período, fazendo um
bico durante o dia enquanto trabalhava na TV à noite, dentre outras atribuições cuidei da papelaria da
empresa. Ao assumir, comecei a fazer 4, até 5 orçamentos de fornecedores diferentes, para submeter à
aprovação do meu diretor. Um dia, estava
em sua sala e tive oportunidade de matar uma enorme curiosidade. Vendo uma
brecha na conversa, perguntei. Chefe, o senhor me pede para fazer vários
orçamentos para compra de material de escritório, mas nunca aprova os mais em
conta, os valores menores. Eu não entendo isso! E ele, do alto de sua experiência de vida, me
explicou então. Disse: "- Os orçamentos mais altos, são de empresas que
querem nos explorar. Os mais baixos, de empresas que possivelmente nos
fornecerão um produto de baixa qualidade ou simplesmente não conseguirão
entregar o que prometeram. Então,
ficamos com as propostas médias, que não são nem altas, nem baixas, mas teremos
a certeza de que não estão nos explorando e confiança na qualidade do que compramos e de sua respectiva entrega. Naquele momento, vi o quanto estava distante
da realidade de algo tão simples e banal como o controle de estoque de material
para escritório!
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o barato sai caro
domingo, 24 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
Um Lugar
Eu quero um lugar onde eu possa afagar um gato meu, sem me preocupar com coisas e pessoas que invadem a nossa vida fazendo exigências. Uns, querem que nos engajemos na luta contra a corrupção. Outros, querem que ajudemos a salvar o animal em extinção. Outros ainda, querem que nos alinhemos contra o sistema financeiro internacional. E todos nos cobram para que saiamos da imobilidade e ajamos como gente grande. Muito nobre, essa posição. Muito procedente essa cobrança. Apenas quero lembrar a todos, que o meu objetivo de vida, é poder afagar um dos meus gatos serenamente, vendo o ocaso, da varanda da minha casa, em algum lugar deste enorme pais. Não me considero uma pessoa que tenha vindo ao mundo para realizar grandes feitos, nem para participar de sagas em prol do bem e da felicidade dos homens. Lembrem-se: quero apenas afagar meu gato em paz. Talvez não se perceba e nem seja de alguma importância aos grandes salvadores do mundo, da pátria e das instituições carcomidas e podres, o fato de eu não ter tido, nos ultimos anos, nenhum gesto para prejudicar seriamente um semelhante meu. Talvez não seja importante a ninguém, que eu tenha procurado ajudar, na medida de minhas condições e posses, a alguém menos favorecido ou a alguém em situação desfavorável, recuperando a sua autoestima e vigor de viver. Talvez isso não importe nem um pouco - e o que queiram é que eu me alinhe aos grandes manifestantes em prol das grandes causas, querendo grandes resultados, procurando saídas espetaculares para a miséria humana. Desculpem. Meu maior objetivo neste momento, é afagar o meu gato, olhando o horizonte e pensando sobre a grande tragédia que é o equívoco recorrente nas relações humanas.
domingo, 3 de março de 2013
visões de mundo
Em algum lugar do céu, vi rolar uma estrela. Ela rolou e sumiu. Foi há 54 anos. Eu estava na sacada do sobrado em que nasci, na esquina da Xavier Ribeiro com Barão de Mota Pais, sentado no colo de dona Mariquinha, minha bisavó. Esqueci quase tudo de minha infância, mas dessa figura da estrela, me recordo sempre. Talvez tenha sido nesse dia, que apareceu a minha permanente curiosidade com relação ao mundo em que vivo e ao Universo que o acolhe. Essa pequena estrela-rolante estartou dentro de mim a necessidade de saber dos fenômenos da superfície, mas também do céu. Que céu era aquele, todo negro e iluminado apenas por aquela miríade de pontinhos cintilantes? Até onde ele ia? Aonde ele nos levava? Cinco décadas depois, tenho a mesmíssima curiosidade ao olhar o céu. As mesmíssimas dúvidas e interrogações. Mas adquiri, entretanto, algumas certezas. A de que não somos nada diante da criação. Que o globo terrestre é apenas um grão de poeira estelar e que há mundos gigantescamente maiores e profundamente diferentes do nosso. Que embora não tenhamos a explicação, há um sentido e uma inteligência coordenando tudo isso e que, diante da eternidade do tempo e do espaço, poderíamos aproveitar melhor as nossas brevíssimas existências, tornando-as mais dignas e mais justas do que realmente são.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Hélio e suas mortes
Numa de minhas idas para
Campinas, passei pelo mercado da Barão de Jaguara para almoçar. Na saída, dei
de cara com o seu Romeu. Nos cumprimentamos e perguntei de Dona Paula e de
Helinho.
- A Paula tá bem, mas Helinho
faleceu há dois anos, disse seu Romeu. –Que
Deus o tenha. Descansou, respondi. Mandei lembrança à Dona Paula e nos
despedimos. A furiosa roda da vida queria nos esmagar, precisávamos nos
apressar, cada um em seus afazeres. Mas ao dar as costas ao meu velho amigo,
não contive um suspiro de tristeza. Então, Helinho morrera... E caminhando pela
calçada da Barão de Jaguara, me sobreveio a lembrança da terrível história daquele
rapaz.
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Sou filho de um dos mais
competentes gerentes de circo da história recente do Brasil. Meu saudoso pai aos 20
anos de idade passou com o circo pela cidade de minha mãe, ela do alto dos seus
16 anos se apaixonou, casaram-se e antes do meu nascimento já estavam
separados. Fui criado por minha mãe. Apesar disso, tive um relacionamento
cordial com meu pai e o visitava sempre no circo. E para eu não ficar ocioso nessas visitas ,ele
me punha para trabalhar. Portaria, bilheteria, secretaria. Revelei-me um
excelente contato com pessoal de rádio e TV e ele sempre que eu ia ao circo ou
o circo passava por perto de casa, me
colocava para contatos desse tipo.
Em 1978, estava eu em Pouso
Alegre, MG. Dono do serviço de alto falante da estação rodoviária da cidade,
que então tinha 60 mil habitantes, completava meus rendimentos redigindo os
radiojornais da emissora AM local.
Um belo dia, aparece meu pai na
cidade. Me convida para almoçar. E diz que está por estrear o circo em
Campinas. Mas a cidade é um cemitério de circos, muito perigosa. Se não estrear
bem, será muito ruim, explicou ele. E colocou na mesa uma quantidade de
dinheiro que representava o meu faturamento de mais de um ano nas minhas
atividades em Pouso Alegre. “-Isto aqui é só um sinal” disse ele. Faremos um
cachê semanal parecido com ele. Vc vai trabalhar apenas 8 semanas, fazendo
divulgação e contato com rádio, jornal e TV, depois pode voltar. Meu pai era mesmo bom no que fazia. Não foi
um pedido, foi uma ordem. Pedi a um amigo para tomar conta do som na
rodoviária, contei a história pedindo uma licença para o dono da rádio e parti,
feliz da vida, com o novo bico que se iniciava.
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A pensão no Guanabara ficava ao
lado do terreno do circo. A viúva dona Paula, chefiava o estabelecimento,
auxiliada por seu segundo marido, o seu Romeu. Nos meus primeiros dias na
pensão, permanecia lá só o tempo necessário para dormir. Até que um dia, num
domingo, tive uma folga. E permaneci na pensão.
Um rapaz dos seus 30 anos, corte
de cabelo à militar, de camiseta e bermudas, sentou-se do meu lado na sala da
pensão. Víamos TV. Do nada, ele olhou para mim e disse: “-Os homens estão
chegando. Eles vem de Marte.” Muito
compenetrado, levantou-se e saiu. Eu não entendi nada, mas segui vendo TV. Dona
Paula, que presenciara a cena de longe, se aproximou de mim rindo e disse
baixinho: “-Não liga não. Esse é o meu filho Helinho. Ele tem problema. É assim
mesmo. Não dê atenção ao que ele fala.”
E percebi, mesmo, no decorrer do
tempo, que realmente, o rapaz só fumava, bebia café o dia inteiro e não falava
coisa com coisa.
Um dia, movido pela curiosidade, peguntei
a dona Paula se o filho dela tinha nascido daquele jeito. Não, ela respondeu. Qualquer dia eu te conto a história do meu
filho.
E, não demorou muito para esse
dia chegar. Estávamos na varanda, num dia sem movimento, quando dona Paula
começou então contar a história de Helinho.
Jovem muito inteligente, Helio
tinha um cargo relativamente importante na contabilidade da FEPASA, setor da
empresa sediado na capital. Acabara de ter uma promoção, galgando um cargo de
chefia. O jovem era uma grande promessa
dentro da empresa. E tinha um grande amor. Fazia planos de casar logo.
Devido às circunstâncias e à responsabilidade
ampliada pela promoção, Helinho começou a fazer serões cada vez mais
prolongados.
Num sábado, avisou a noiva que
ficaria até muito tarde adiantando um serviço e portanto, não compareceria para
namorar naquela noite. Mas o coração nos trai mesmo e com o rapaz não foi
diferente. Por volta de 9 da noite, sentiu uma vontade muito grande de ver a sua
amada. Era muito respeitador, portanto apenas queria passar, dar um beijo e ir
embora.
A rua da casa da noiva era próxima
ao seu trabalho. Uma rua com arvores de um certo porte, que faziam alguma
sombra principalmente à noite. Helinho bateu na casa da amada e foi recebido
por alguém da família, que disse que ela teria ido ao cinema. Ele resolveu esperar. Afinal, seria só um
beijo rápido e iria embora em seguida, isso não afrontaria a família da moça. Colocou-se debaixo de uma árvore, protegido da
fraca luz de rua e esperou. Subito, parou
um táxi e ele a reconheceu ao lado do motorista. Pensou em correr para abrir a
porta, mas eis que a noiva tascou um beijo cinematográfico no taxista. Ele
parou, sem acreditar no que via. E o que se seguou, foi por demais chocante.
Transaram dentro do carro, ali mesmo, aproveitando a penumbra da noite.
Dona Paula contou que Helinho não
se deixou ver, voltou para a republica em que morava em São Paulo. No domingo, voltou à casa da noiva, devolveu
os presentes e encerrou o noivado.
Algum tempo depois, já em Campinas, durante um
derbi Ponte-Guarani, Helinho, na geral do estádio, começa a rasgar a roupa e a
gritar o nome da sua amada. Foi o fim do
relacionamento do rapaz com a razão. Nunca mais falou coisa com coisa, nunca
mais se recuperou.
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Caminhando pela Barão de Jaguara, melancolicamente concluo, pensando
com os meus botões, depois da notícia que me foi dada por seu Romeu. Na
verdade, Helinho morrera muitos anos antes, num certa noite numa rua escura de
São Paulo...
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Noções de Realidade
Tento escalar a montanha íngreme
de minhas fragilidades. Quero atravessar o pântano de meus medos e passar pela
floresta de meus receios mais recorrentes. Vislumbrar, com a ajuda da luz
bruxuleante de minha vã esperança, um horizonte possível, que se não me venha a
dar bonança e alegrias, pelo menos um pouco de paz e tranquilidade, adequadas à
minha condição física e idade. Nesta fase da vida, é difícil até sonhar, porque
se acorda com o corpo dolorido e a cabeça inchada. Aquela tocha incandescente
que carregavas à minha frente, oh destino, iluminando fartamente o meu caminho,
por onde ficou nessa viagem insana e fantástica? E assim, de esquina em esquina, vou tateando
as coisas prováveis da existência e selecionando, dentro do possível, o que me
faz bem e o que não. Por vezes, o que não fica e tenho que jogar fora o que sim.
E isso dói mais que extração de ciso. Arrebenta o peito, é como se um garotinho
inocente tivesse que jogar fora sua coleção de botões ou rasgar um a um seus gibis
raros e demoradamente colecionados. A Natureza é boa, mas de vez em quando
surta, e teima em nos colocar de joelhos, para experimentar a nossa capacidade,
a nossa resistência, a nossa adaptabilidade. Nos faz sentir fortes e poderosos,
para no momento seguinte, nos humilhar e nos fazer rastejar, muito embora o
nosso coração não queira e a nossa mente sofra por demais com isso. A natureza
quer nosso sangue, nosso cérebro, nossa capacidade, nossa resistência só para
ela, e nos toma, aos poucos, tudo isso. É quando aquele gigante de ferro e aço,
aparencia de pedra e resistência do diamante, se desmancha em lágrimas, como um
garotinho indefeso, no fim de sua capacidade de suportar a dor física e moral
da injustiça e da intolerância que porventura permeiam o caminho. E um certo
dia, quando menos esperamos, porque uma característica marcante do destino é
realmente o fator surpresa, nos pegamos totalmente processados pelos moedores
de carne e mentes da vida e, assim, depois de uma longa jornada em busca do
infinito, na calada da noite, na soleira da porta, como se nada neste mundo nos
perturbasse ou incomodasse, afagássemos lentamente a cabeça de um gato, este
sim, perfeitamente inteirado do que nos acontece e, solidário.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Humanamente
Por vezes, fico olhando as pessoas em seus gestos, ações, posturas. É uma aula muda de Humanidade. Ensina essa aula como é bom ser gente. E como é importante ter reações de ser humano, a situações humanas e por vezes até a situações cósmicas. Quem não se emocionou diante de um por do sol prá lá de lindo? Quem não se sente arrepiado ao saber que o mundo é um mero ponto na imensidão do universo? E que as galáxias, brincado de caleidoscópio, mostram um mundo de cores em transformação, quando em um lugar é uma cabeça de cavalo, em outra, o olho de Deus, em outra, alguma figura nova, inédita, para colorir os nossos devaneios cósmicos, quando a existência conspira contra o bom senso e as posturas politicamente corretas e nos recomenda a loucura, a insensatez, a inobservância do que é aparente correto e supostamente perfeito? Transigir, transgredir, romper com o estabelecido, ou fazer a lição de casa, obedientemente, como qualquer pequeno estudante de nivel médio? Alfa, ômega, qual o sentido de ser assim. Ou de não ser? Qual a medida com que devo te amar. Ou te odiar. Ou te desprezar. Em quanto se mede a minha capacidade de depender de você?
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Palavras
É muito difícil transformar emoções em palavras. Sentimentos em frases. A existência em idéias. Nem sempre temos sucesso ao descrever certas coisas. Nem sempre conseguimos falar ou escrever sobre isso como realmente o é. Porque os sentimentos são ondas que conseguem ter massa e ao mesmo tempo, matéria, que se comporta como onda. Porque a explicação é complicada, muito embora o seu objeto seja de uma tocante simplicidade. Há frases ditas com o olhar que não tem correspondentes na fala ou na escrita. Vemos mudas cenas na arte: Pietá, Pensador, Gioconda... cada um contando uma história sem uma só palavra dita ou escrita. Verbalizar ou passar isso para o papel é uma missão inglória com empedernidos obstáculos. Um exército de oradores, escribas, pensadores, léxicos, gramáticos, professores, autodidatas luta bravamente para transmutar o mágico no verbo. Poucos conseguem, mas quando o fazem, marcam a história e enlevam milhões de pessoas com suas vidas e obras.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
òdio
Toda vez em que vc for odiar alguém, tenha em mente que a raiva contra outra pessoa, esse sentimento impuro, far-lhe-á mais mal do que ao outro. É como se pegássemos brasas com as mãos, para atirá-las em alguém, com a intenção de ferir.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Nobilitatis
Os animais que se dizem racionais não acreditam que os outros animais, que eles dizem que são irracionais, tem sentimentos nobres e, por vezes, mais nobres do que os deles.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Ser
As minhas palavras, desde ha muito foram totalmente ocultadas por minha atitudes. Por vezes, quando tento dizer que não me agrado, todos os meus sinais são de que é mentira. Quando digo que vou, meu corpo é estático e fica. Quando digo que não me importo nem um pouco, me pego chorando pelos cantos pelo motivo do meu aparente desdém. Meus lábios declaram guerra, mas meu coração é uma trégua só. O contrassenso é meu karma, minha desdita. Santa dualidade, onde o não é sim, o sim é não e os dois são um incomensurável talvez. Ao invés de me perder em meio a tudo isso, penso ter segurado firme na ponta do fio da meada. Mas que nada! Ele se solta de minha mão e se esvai pela escuridão. E fica aquela impressão de que me encontrei nesse vazio das certezas, nesse nada das compreensões. Porque eu sou você. Você, sou eu. E nós, somos o ser.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Coisas da Vida! (Contos de Fadas Repaginados)
O Ministério Público, através da Promotoria da Infancia e da Juventude, vai ouvir na semana que vem, os pais de Chapeuzinho Vermelho. Os promotores querem saber as circunstancias em que a ordem para a menina entrar sozinha pela floresta foi dada e se houve um consenso dos pais. Segundo um promotor que nâo quis ter seu nome publicado, a família de Chapeuzinho pode ser enquadrada em vários artigos do ECA, Estatuto da Crianca e do Adolescente. Ja o lenhador que assassinou o Lobo Mau, deve responder por maus tratos e morte de animal da fauna silvestre, crime inafiançável. Além disso, consta que corre em paralelo uma investigação no DEIC, porque o lenhador não tinha porte de arma e nem registro da espingarda com a qual cometeu o crime. E a vovozinha esta em tratamento psiquiátrico, porque já viúva, ficou com a síndrome de estocolmo e se sente uma completa viúva pela segunda vez.
Chapeuzinho, que desde esses eventos já cresceu e completou a maioridade, estuda uma proposta da Playboy para posar nua e um convite da REDE TV para apresentar um programa de variedades. Mas o colunismo social comenta em todos os blogs de fofocas, é que Chapeuzinho vai mesmo é participar do próximo BBB.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Feito com Amor
Tenho uma coisa ca comigo. Em toda a minha vida, fui aprendendo licoes de lascar, na dureza de ter que arriscar tudo e logo em seguida, enfrentar o amargor da derrota e do fracasso, para recomecar imediatamente, trocando de sonhos, mudando as metas e redirecionando os objetivos, maior parte, sem um gato para puxar pelo rabo. Muitas vezes, muitas mesmo, aquilo em que eu mais acreditava e aquilo que mais me dava entusiasmo, acabava por se revelar algo vazio, inocuo e que nem valia a pena tentar. Mas eu tentei. Ajudei, por decadas, a construir alguns imperios com o meu trabalho, no auge de minha vida produtiva profissional. Em troca, alem de um salario miseravel, nem um muito obrigado. Fiz varias tentativas em voo solo, como autonomo e todas deram nagua. Nao coloco isso no meu curriculo nao sei porque, mas ja fui servente de pedreiro, agente funerario, almoxarife e vendedor pracista. Dono de agencia de publicidade, dono de servico de alto falante em rodoviaria, secretario em circo, diretor de radio, autor, editor e distribuidor de guia de onibus. Sempre trabalhando. E nessa aventura que e viver, fui aos poucos descobrindo coisas das mais incriveis. Uma delas, e que a vida, ao contrario dos ingratos, costuma lhe devolver o que vc da a ela, geralmente na mesma proporcao. Entao, se for para vc fazer uma argamassa para assentar tijolos como servente de pedreiro ou um roteiro para um programa de TV como roteirista, capriche. Nao importa o que vc esteja fazendo, se seja algo chique ou brega, importante ou trivial. E nao importa se a empresa para a qual vc trabalha, seja insensivel e ingrata. Faca o melhor. Pode demorar, pode nao ser agora, pode nao ser do jeito que vc gostaria. Mas um dia, um belo dia, a vida lhe devolvera caprichosamente, todo esse investimento sutil, mas poderoso.
domingo, 11 de novembro de 2012
Solidão
Por vezes fico pensando como as pessoas se enganam com a idéia de solidão. Parece que estar só, é ficar numa região desabitada. Em outra hipótese, para a maioria das pessoas estar só é não ter muitos amigos, parentes, pessoas próximas. Para os românticos, estar só é permanecer longe da pessoa amada. Para muita gente, viver só no sentido de morar numa casa sem mais ninguém, é um tipo muito marcante de solidão. Entretanto, apesar da lógica que norteia esses conceitos, existem formas mais sofisticadas e, portanto, terríveis de solidão. A solidão intelectual, por exemplo. Quando se está num meio universitário, de nível elevado e se é apenas alfabetizado, nada mais. Ou ao contrário. Quando se tem um bom nivel cultural e nao existe mais ninguem ao derredor para uma conversa mais elevada sobre as coisas da vida ou outros assuntos especificos. Existe também a solidão no trabalho, quando todos se revelam colegas, mas não a ponto de aceitar aquele seu convite para um happy hour. Tambem existe a solidão afetiva. Quando a pessoa que acabamos subitamente amando, vai aos poucos se revelando nossa antítese, gostando de tudo o que a gente detesta e detestando tudo o que a gente mais gosta, num descortinar de uma potencial e triste predisposição ao desenlace. Resta-nos tentar compreender, aceitar passivamente ou tentar modificar essas coisas, caso sejamos capazes. Entretanto, seja qual for o tipo de solidão a que estejamos submetidos, é preciso ter paciência e tolerância para com as coisas da vida e conosco mesmos. Afinal, somos humanos!
sábado, 20 de outubro de 2012
Ousadia
Ícaro foi devidamente punido pela ousadia de voar alto demais.
Peer Gynt teve o desplante de ser um sonhador diante do homem pragmático e Ibsen reproduziu na ficção a sina de todos que ousam na realidade, punindo-o severamente.
O elefantinho de Kipling, tão vivo, tão atirado, no tempo em que os elefantes não tinham trombas, atreveu-se a passar perto demais dos crocodilos e nhac! Teve o nariz mordido a tal ponto que antes de se soltar, esticou, esticou... e ele correu de volta para junto da mãe gritando, fanhoso: Olha o que me aconteceu!
Assim, todos pagam por ousar.
Todos.
Escolhas
Recuar não significa perder. A pausa não significa desistencia. O silêncio não quer dizer que não há importância. Apenas que um homem aprende, a duras penas em sua vida, o melhor momento. Para recuar, pausar, silenciar. Nem sempre usamos disso com parcimônia e nem sempre a cautela é nossa orientadora. O aprendizado na faculdade da vida requer disciplina, atenção, perseverança. E só termina com a morte. Enquanto isso, temos duas maneiras de aprender, segundo os espiritualistas. Pelo amor ou pela dor. Por incrível que pareça, por menos razoável que consideremos, sempre, sempre essa, é uma escolha de cada um.
domingo, 23 de setembro de 2012
Reflexões pessoais sobre o bem e o mal
Tem coisas na vida que a gente não precisa, nem quer provar para ninguém e que até evitamos comentar. Já foi dito pelos especialistas, que o ser humano tem o condão de somatizar. Pro bem e pro mal. Quando uma pessoa cede ao rancor, à mágoa e ao ódio, ela tem talvez maiores possibilidades de adoecer mais gravemente do que se não nutrisse esses sentimentos. E ao contrário, dizem os doutores, se a pessoa nutre bons sentimentos, terá mais chance de que a doença ou não aconteça, ou dure menos, porque os sentimentos bons ou ruins, regulam para mais ou para menos as defesas orgânicas das pessoas. Tenho uma ligeira tendência a acreditar nisso tudo. E acho que vai muito além da simples saúde orgânica ou mental. Acredito que isso interfira na vida pessoal, profissional e amorosa das pessoas de uma forma marcante e decisiva. A positividade ou negatividade funcionam talvez como grandes catalizadores, com enorme poder de atração, para coisas boas ou más, de acordo com as suas afinidades. Creio que como numa grande matrix, as coisas meio que acompanhem os pensamentos e sentimentos do individuo. Quando é bom, para o bem. E, quando é mau... Para o mal. A grande sacada da criação - é que nos foi dado o livre arbítrio, para que possamos escolher.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Talento
Fazer alguma coisa eh simplesmente fazer alguma coisa. Diferenciais aparecem, quando um faz o que tem que ser feito e outro faz o melhor que pode ser feito. A isso, por vezes, se dah o nome de talento. As coisas mais simples da vida, podem ser feitas por qualquer pessoa, mas apenas algumas as fazem de maneira tal, que todos percebem a diferenca.
domingo, 9 de setembro de 2012
Eu sou você
Quando eu vejo um jovem pagando pelas consequencias de um gesto impensado, imaturo, irresponsável seu, me dá uma dor no coração por não poder ajudar. Mas eu não posso mesmo. Os jovens me olham com piedade. Eles acham que eu já passei, que eu já era. Nada esperam de mim e nada tem para me dar, a não ser comiseração. Eles acham que nada sei, ou que o que sei, já não tem mais valor. Portanto, por mais que eu fale, por mais que diga, nada será ouvido pelos jovens. Eles não irão mesmo dar ouvidos a alguém que já perdeu o prazo de validade e que tem idéias que já prescreveram. Mal sabem esses pirralhos, que para certas coisas na vida, as regras são perenes, imutáveis. E que o conhecimento dos mais velhos seria extremamente útil, caso fosse aceito. E assim, eu os vejo sofrer, por motivos que conheço muito bem, e cujas raizes, eu bem que poderia ajuda-los a a extirpar, para se proteger melhor dos caprichos da vida. Mas não faz mal. Se eu não posso, a vida pode. Ocorre que comigo, seria bem mais agradável. Com a vida, por vezes terrível. E me é de dificil aceitação o fato de ver sofrer, sabendo perfeitamente que esse sofrimento poderia ter sido evitado, caso ocorresse talvez apenas uma conversa. E assim é a Humanidade. Assim somos nós.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Paradoxo Interdepartamental
Ainda não concluí tratar-se de um caso de incompetência generalizada ou pura maldade. Mas todas as empresas com as quais eu tenho relacionamento como consumidor, apresentam características comuns no mínimo intrigantes. Vou tentar resumir minha análise, para melhor compreensão do que quero dizer:
VENDAS.- Mostram a maravilha das maravilhas. Não existe nada de melhor. Entendem tecnicamente de tudo. Sabem todas as falhas dos concorrentes. Falam mal dos produtos e dos serviços alheios. E só enaltecem os próprios. Deixam o comprador encantado e o fechamento do negócio é fácil, descomplicado, rápido e eficiente. Entretanto, fazem questao de esconder do comprador os inconvenientes e aspectos desfavoraveis da aquisicao,, do produto e/ou servico. Positivamente, so tratam do lado bom do assunto. O mau, vc descobre por si mesmo.
POS-VENDAS.(SAC)- Vc, que comprou o produto e/ou servico e achou que estava fazendo o melhor negócio do mundo, começa a ficar desconfiado. Ao tentar usar o produto ou seviço, na primeira dúvida, ao recorrer à empresa, se surpreende numa fila de atendimento de 45 minutos, sendo o 36o. cliente ao telefone. Não aceitam troca, devolução e se aceitam o contrato tem cláusulas leoninas que impedem qualquer vantagem ao consumidor. Por sinal, desconhecem ou não utilizam a maior parte do texto do Código de Defesa do Consumidor. Por fim, vc acaba concluindo que não vale a pena tentar falar com essa gente. E fica com a sensação de que foi vítima de estelionato legal, protegido por leis e instituições. Não adianta procurar o gerente e quebrar a cara dele, porque vc vai ser preso e condenado. Melhor ficar quieto.
COBRANCA.- setor da empresa no estado da arte. Sabe tudo sobre voce. É agil, veloz. Em caso de atraso, tem múltiplas maneiras de oferecer uma solução. Tem um corpo de profissionais de invejável competência. Precisos. Costumam se antecipar e apresentar a conta com bastante antecedência. Nâo tem contato nenhum com SAC nem com VENDAS. O atendimento não tem quase nenhuma espera e é bastante eficiente. Aliás, vc poderia sugerir para que eles dessem lições de atendimento, agilidade, precisão e profissionalismo ao resto da empresa. Mas realmente, vc irá concluir que eles jamais se conversam, porque o Depto. de Cobranca simplesmente despreza os demais, por serem demasiadamente inferiores.
Concluindo, as empresas costumam estar na idade da pedra quanto aquilo que não se trata de COBRANÇA - esta sim, no estado da arte e em avançadíssimo estágio tecnológico e irrepreensível profissionalmente.
Resta analisarmos se isso é por maldade, por incompetência adminsitrativa ou gerencial, ou se tem que ser assim mesmo no mundo corporativo. E se for, o patrono desses empresários esquisitos só pode ser o capeta.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Aprendendo a jogar
Nos mais sombrios dias de minha vida, quando eu amargava os meus mais fundamentais erros e curtia o resultado implacavel de derrotas merecidamente recorrentes, num circulo vicioso que me levava aos poroes da existência, ao me pegar passando defronte churrascarias e tendo barato com o cheiro da carne assada, olhando as pessoas nos bares tomando cerveja e execrando esse hábito, uma vez que a garrafa de meio litro de pinga custava o preco de um terço do de uma garrafa de cerveja, apos me pegar comendo uma mistura nojenta de farinha de mandioca, oleo de soja, sal e água porque o estomago vazio nao me deixava dormir à noite, ao pedir a Deus que nunca mais me permitisse dormir num colchão tão fino a ponto de me doerem as costelas encravadas no estrado, ao ver os meus amigos, os mais diletos e até parentes, sumirem nas brumas de uma indiferença brutal e definitiva, ao ver pessoas que antes me bajulavam trocar de calçada ao cruzarem comigo na rua, ao sentir uma atavica e imensa vergonha de tudo isso, aos poucos, eu fui descobrindo um mundo novo, notável e de grande significado. A primeira descoberta é a de que se você não for amigo de você mesmo, é problemático. E segundo, que se você não conseguir se adaptar, será destruido rapidamente senão pelos outros, mas por você mesmo. Descobri que é possível viver com menos de um dólar por dia, desde que não enjoe de arroz com salsicha. E na solidao de quem amarga absolutamente sozinho a propria desdita, dado que tem vergonha de até deixar que os outros percebam que você está na pior, ainda assim, vc brinca, sorri, graceja, ironiza, como sempre, sempre o fez. É assim que o ser humano, por você representado, sobrevive na selva de pedra, diante das feras humanas e perante a sua própria incapacidade de contornar esse pantano, tendo que atravessa-lo do jeito que possa e da maneira que entenda como viável. E se por acaso, vc me perguntar se tive algum resultado positivo de tudo o que aconteceu comigo, apenas posso lhe dizer com alguma dose de satisfação. Acho que sim, posto que estou aqui.
domingo, 1 de julho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
Memória Fraca
Estou com dois seríssimos problemas. O primeiro é que ando extremamente esquecido. E o segundo é... é... do que que a gente estava falando mesmo?
(I have two problems. One is that I am very forgetful. And the other I do not remember.)
(I have two problems. One is that I am very forgetful. And the other I do not remember.)
sábado, 9 de junho de 2012
Sabedoria Gatônica
Meus gatos são seres lindos e muito autênticos. Eles não se preocupam em me passar uma imagem irreal deles mesmos. Eles não me agradam interessados em alguma coisa. Se eles ronronam e esfregam em mim, é simplesmente porque gostam disso. Meus gatos são uma lição de vida. Eu deveria ser como meus gatos. Passei boa parte da minha vida tentando agradar as pessoas e enfim, só desagradei. Eu queria profundamente impressionar bem as pessoas e só as decepcionei. Hoje, aprendo com meus gatos. E sei que não posso voltar atrás e desfazer aquilo que fiz de errado na vida. Mas também sei que seguindo os preceitos de meus pequenos mestres, os gatos, eu posso doravante, ser mais gente, ser mais eu e menos um sujeito interessado em agradar a quem não gosta de mim.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
FALANDO FRANCAMENTE
Uma vez, conversando com um politico que estava sendo cassado no interior de SP, tocamos num assunto muito delicado: alguem havia colocado fogo no carro de um denunciante na garagem da casa dele. Quando comentei com o político: "-As pessoas precisam achar que o senhor é muito estúpido a ponto de comandar esse ataque. Eu respeito a sua inteligência e sei que o senhor não iria fazer isso, porque ficaria muito óbvia a autoria." Senti uma certa perplexidade no olhar do homem, mas me calei. Mais tarde, para minha decepção se confirmou a acusação: realmente, tinha sido ele que havia determinado o ataque.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
O mundo a um clic
Bebida Amarga
A historia triste e sombria da velhice de Norma Benguel, mostrada no domingo Espetacular de hoje, 3/6/12 - muito mais do que um assunto do cotidiano brasileiro, serve como uma grave advertencia para todos nós, que, indistintamente, envelhecemos.
E-books em Português
Depois que comprei o meu primeiro Tablet, eu, que não tinha o habito, comecei a me interessar por levar a leitura comigo, principalmente em viagens, mesmo que curtas. Para quem gosta, uma dica para baixar e-books grátis.
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Rupturas
Realmente tínhamos um caso de cumplicidade e de um misto de atração com carinho que era bastante dificil de negar ou esconder. Mas um dia, ela se foi. Fez um vazio enorme na minha vida e por isso, depois de um tempo, fui buscá-la. E com todo o jeito dos namorados amantes, a convenci de que era preciso continuar aquele nosso caso. Na segunda vez também. Na terceira... Depois de muitas idas e vindas, um dia ela me comunicou outra vez que estava indo embora. Disse que era evidente o meu amor e que ela faria uma falta imensa na minha vida e que estava pedindo para que ficasse. Mas nao teve jeito. Estava irredutivel. Então, tentando segurar os meus cacos com todas as forças de que dispunha, coloquei os pratos a limpo. Para que nao houvesse duvida, eu disse a ela que arrastava um caminhão carregado por causa dela, mas que se ela passasse pela soleira da porta da sala, eu arrastaria dois para que ela nao mais voltasse. E, machucando meu já dolorido coração, ela se foi, levando tudo de mim e deixando-me com um imenso e tenebroso vazio. De fato. Arrastei dois, tres, cinco, dezenas de caminhões. Mas não a procurei e nem permiti que houvesse a menor chance para que voltassemos. Simplesmente não me preocupo com o quanto isso me custou e quantas rugas se formaram em meu rosto e quanto cabelo desandou de minha atormentada cabeça e quantos pedaços ficaram faltando no meu coração e o quanto de minhalma foi reduzido. As decisões de vida, são definitivas, mas por vezes, cruéis para com quem as toma. E, certamente, pior seria se assim não o fosse.
terça-feira, 22 de maio de 2012
ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ SIDNEI GONÇALVES é vÍtima de latrocinio
O agronegócio perde um talento imenso. Com uma visão do setor beirando a genialidade, Zé Sidnei Gonçalves usou dela para idealizar e implantar a APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, que congrega todos os Institutos de Pesquisa da Secretaria de Agricultura do Estado de SÃo Paulo. Pesquisador Científico de exepcional produtividade intelectual no Instituto de Economia Agrícola, tinha uma indefectível humildade que nao revelava, num primeiro momento, a própria inteligência, cultura e capacidade profissional. Acompanhei de longe a sua luta para criar a Agência. Depois de um ano de criada, passei a ser seu assistente. Trabalhamos juntos o tempo suficiente para que eu tenha hoje algumas certezas e uma só dúvida. Fui o funcionário que o acompanhou e ajudou a desocupar as gavetas, quando foi injusta e inexplicavelmente exonerado do cargo de Coordenador de sua paixão, a APTA. Essa proximidade me deu a certeza do caráter, da dignidade, do talento como pesquisador científico e do grande espírito humanitário do Doutor José Sidnei. Também, da sua amizade. A minha única incerteza, é a de para qual humor serviu o que fizeram com ele. Resta que o mundo perde um homem de alta consciência humanística, o Brasil perde um de seus melhores pesquisadores científicos, São Paulo perde um engenheiro agrônomo Doutor em Economia Agrícola de altissima qualidade profissional e eu, perco um amigo. Fica com Deus.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Nada Mais
Se um dia, no silencio da noite e em meio a amargura e desesperança, você se pegar sofrendo e sem ter a quem pedir ajuda, tente lembrar na pouca ajuda que porventura tenha dado aos homens e animais à sua volta. E se por acaso não tiver a compaixao alheia, tente se lembrar dos que você ignorou e também abandonou. Entenda. Você estará recebendo de volta, o que você mesmo deu à vida até então. Nada mais.
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domingo, 13 de maio de 2012
Dia das Mães
Mães não morrem. Elas só vão embora. Mas deixam tudo delas em nós. Que continua vivo. E que passamos para nossos filhos. Mães são assim. Imorredouras. Porque o amor é assim. O amor não morre nunca.
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sábado, 12 de maio de 2012
A Execução
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
Humana Mente
Sou um ser humano. Tenho limitacoes. Fraquezas. Sou capaz de me emocionar diante de um sorriso de crianca, de um gesto amavel, da inocencia de um animalzinho, da generosidade das pessoas. Por vezes, entretanto, me exalto e viajo numa onda de impaciencia, mas logo descubro que preciso voltar para a zona da compaixao pelo meu semelhante e por mim mesmo. Sou capaz de machucar as pessoas, ainda que inconscientemente nesses voos de humor. Mas se o abraco amigo eh provocado, o aperto de mao eh sugerido, vou logo apertando, vou logo abracando. Porque eu sei que as coisas ruins, sao apenas para que aprendamos a valorizar o contrario - As coisas boas, os bons sentimentos, a boa intencao, sao para que os cultivemos como flor delicada mas maravilhosa e que deve enfeitar as nossas vidas. Creia: o odio, o rancor, a intolerancia, a inveja, a maldade, sao sentimentos cuja aura atrai invariavelmente o pior e seus agentes, antes temidos e talvez ateh odiados, se tornam dignos de piedade, ao apagar das luzes de suas desperdicadas vidas. Nao sou exemplo para ninguem. Minha existencia nao foi - digamos assim - das mais proveitosas ate agora, em termos de nobreza de espirito. Apenas que aprendi um pouco, a cultivar uma coisa muito positiva e que nos faz um bem danado, que eh o habito saudavel de ter bons sentimentos e olhar as pessoas, a vida e tudo que nela ha, num primeiro momento, como algo digno, positivo e reconfortante.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Fragilidade
A vida, as pessoas, os relacionamentos, sao tao frageis! Assim como o vento amolda e carrega para onde bem desejar todas as nuvens, o acaso adentra a nossa sala, sufoca o nosso espirito, engana nossas esperancas e nos coloca um olhar de espanto no rosto. E se por acaso sobejamente nao nos preferir, joga um vazio para que nos safemos dele, se formos capazes. A polaridade, a mesma que faz com que o raio caia, o motor, o transistor e ate a sinapse funcionem, faz deste mundo uma gangorra que nos leva de baixo para cima, de cima para baixo, para que um dia, descubramos como bem disse o sabio, que depois de muito aprender, aprendemos apenas o suficiente para concluir que nada, absolutamente nada sabemos sobre coisa alguma.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Abaixo os Calotes na Internet!
Os sites, principalmente os de comercio via Internet, escondem todas as informacoes que deveriam constar na capa ou paginal principal.
Recentemente foi apresentado um Projeto de Lei (PL) que resolve essa questao de falta de clareza na WEB.
Veja o texto publicado na ocasiao. E se puder, cobre do deputado uma posicao, esse PL precisa ser votado.
A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou na quarta-feira (17) o Projeto de Lei 5470/09, do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que obriga as empresas a informarem em suas páginas na internet a razão social, o número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e os endereços da sede e das sucursais.
Por sugestão do próprio autor da proposta, o texto aprovado também obriga as empresas a disponibilizar um endereço eletrônico para que o consumidor entre em contato diretamente por e-mail, e não apenas por formulário online.
O relator, deputado Roberto Santiago (PV-SP), incorporou ainda mudanças sugeridas pelo deputado Eli Correa Filho (DEM-SP), para explicitar que a razão social poderá ser substituída pela denominação da empresa, e que deverá corresponder ao nome do Registro de Empresas ou Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
Fácil acesso - De acordo com o projeto, as informações, exceto o endereço das sucursais, que poderão aparecer em uma página interna, terão de estar na página principal do site, na parte inferior, em tamanho que permita sua fácil visualização.
A proposta prevê que a empresa flagrada descumprindo as regras será advertida para regularizar a situação em 15 dias. Em caso de reincidência, serão aplicadas multas entre R$ 1 mil e R$ 50 mil. Após a segunda reincidência, o site será tirado do ar.
As regras valem também para as pessoas físicas que hospedarem sites de comércio eletrônico - com a diferença de que, em vez de CNPJ, elas deverão divulgar o CPF.
Tramitação - O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
(Fonte: Agência Câmara)
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deputado Eli Correia Filho,
estelionato,
fraude,
PL 5470/09,
PSDB,
PV
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Frieza humana
Dificil imaginar que um bichinho tenha personalidade. Mais dificil ainda imaginar que sinta gratidao. Pior ainda: impossivel crer que sinta afeto. Porque alguns seres humanos, apesar de e ateh por serem frios como os repteis, nao conseguem enxergar calor humano em mamiferos que nao sejam da sua especie.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Perdao!
Remexendo meus guardados, encontrei essa carta onde, tacitamente, peco perdao a todas as criancas deste mundo.
Querido João Hélio:
Não precisa chorar. Já passou. Neste
momento, vc está nas mãos do papai do céu, não é mesmo, anjo? Devolvemos você,
na plenitude da pureza e da inocência, para o céu, de onde um dia você saiu
para nos brindar com a sua presença e bonita companhia.
Joãozinho, neste momento, tem muita gente
orando por você em todos os cantos deste mundo. Um mundo que você mal conheceu
e que lhe devolveu uma insensatez infinita, violando a sua inocência e
maculando a sua pureza, com muita dor, espanto e desespero.
Tudo o que aconteceu foi muito de repente,
as pessoas que magoram você e provocaram essa tragédia, estão próximas de uma
bestialidade que contradiz a natureza humana e que afronta a bondade divina.
São homens maus que nem sabe porque são maus.
Na condição de ser humano, me julgo capaz
de representar a minha espécie, para vir humildemente à sua presença, João
Hélio, pedir desculpas. Pedir o seu perdão.
É comum a nós, humanos, cometer violências
como esta, desde tempos imemoriais e desde que um dia, do gólgota, aquele outro
ser divino também violentado, pediu ao Pai para perdoar-nos, porque não
sabíamos o que estávamos fazendo. É verdade, João Hélio. Nós não sabemos mesmo
o que fazemos, quando alimentamos um mundo onde a crueldade é considerada um
predicado, onde a insensibilidade é a tônica do dia e onde a indiferença deixa
os monstros serem criados livres e soltos, para a qualquer momento nos fazer
chorar.
Menininho, perdoa não só os homens maus que
fizeram você sofrer, mas aos homens que permitiram que a maldade crescesse e se
esparramasse por este mundo. Quando papai do céu manda para nós um menino como
você, trata-se de um recado de que Deus ainda quer confiar nas pessoas. Mas
parece que o que fizeram com você é um tapa no rosto de Deus, é a negação da
bondade, é a maldade pela maldade, nada mais importando, é o começo do suicídio
da humanidade.
Você foi para o céu levando um susto
enorme, um medo horrível, muita dor, uma dor demasiado grande, dependurado
naquele carro. Mas creia, susto maior
estão tomando as pessoas, ao verem que até você foi levado no meio dessa
violência toda.
Na roda viva de todos os dias, as pessoas
estão muito ocupadas para medirem as conseqüencias daquilo que elas fazem e
daquilo que elas não fazem.
Esses homens maus que fizeram você sofrer,
são produto de outros homens maus, que por sua vez, resultam da existências de
outros homens maus e que fazem coisas erradas sem se importarem com os
resultados. Em volta desse povo ruim, está outro tipo de gente, tido com
pessoas boas, que nem liga para nada e deixa as coisas acontecerem.
Um sábio já disse uma vez que o grande mal
deste mundo não são as pessoas ruins, mas sim as pessoas que permitem a
maldade. Afinal, a sua partida deste mundo de forma trágica, Joãozinho, é um
aviso de Deus de que todos nós vamos muito mal e que há algo muitíssimo errado
que, por nossa própria natureza, não queremos realmente enxergar.
Um beijo, querido, e que mais uma vez você
nos perdoe e que Deus, em sua infinita sabedoria, nos ensine a cada dia mais e
mais a deixar de lado o egoísmo, amar o próximo e fazer deste mundo, um lugar
melhor para se viver.
Desculpe, garoto. Perdão.
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