sábado, 21 de maio de 2011

O amigo do meu amigo...


No colégio, aprendi matemática Moderna, de Oswaldo Sangiorgi.
A minha professora, ou era mesmo terrívelmente fria, ou escondia muitíssimo bem as emoções.
Se o aluno dissesse que a amava, não movia nenhum músculo da face e a mesma coisa valia para quando algum aluno mais destemperado dissesse que a odiava.
Era uma autoridade na matéria, mas não tinha muita didática e desse jeito, nem poderia ter.
Foi ela quem, gentilmente, me conduziu nos primeiros passos para detestar Matemática. Entretanto, ficou aquela história do be-a-bá dos números relativos:
"O amigo do meu amigo é meu amigo e o inimigo do meu inimigo é meu amigo e o amigo de meu inimigo é meu inimigo".
Uma falácia, um sofisma só que desta vez, utilizado para o bem, ou seja, para a compreensão dos alunos, do que vem a ser o sistema de números relativos.
Na vida real, o arqui-inimigo do meu amigo pode ser meu melhor amigo e aí, a lógica dos números relativos revela a sua verdadeira cara feia de falsidade, para a minha saia-justa de explicar para os dois que sou uma espécie de "suíça", um campo neutro no meio deles.
Aliás, conviver assim, com os contrários, é uma arte.
É também um exercício de equidade e isenção, uma vez que não podemos puxar a sardinha para lado nenhum, sob pena de provocar um embroglio bastante desagradável e difícil de desfazer.
Os mais descolados e corajosos ousam até emitir opinião:
"- Acho que o Everaldo José tá errado, mas ele é um cabeça de prego que não escuta ninguém!"
Mas aí, pode haver mesmo uma saia justa com o Everaldo José a qualquer momento, porque muito embora ele possa receber com um sorriso essa afirmação, no fundo, no fundo , ele pode esperar ardentemente uma oportunidade de dizer algo também desairoso sobre você.
A convivência é muito especial e é a base de nossa sobrevivência como seres sociais por excelência.
E você, tem se dado bem nesse contexto?

Como Fazer um Bebê

Irracionais mesmo? Até onde?


A minha gata Docinho, uma vira-latas encontrada por minha filha na praça Roosevelt e trazida para casa recém-desmamada, passa todo o tempo ao meu lado, quando estou em casa.

Adora um colo, quando não pede colo fica obervando tudo o que faço atentamente e um sinal de que está á vontade, relaxada, é quando começa a fazer a higiene corporal, lambendo os pelos.


Por isso, consigo de uma certa forma, observar melhor seu comportamento.


Por vezes, fico impressionado como ela entende as coisas que falo, acata ordens, aceita convites, não sei se ela na verdade interpreta o tom de voz ou entende a situação com aqueles en
ormes olhos verdes.

Na realidade, o animal chamado de irracional, tem um quê de inteligente, no meu entendimento.


Outro dia, sem querer, dei uma pisadela na Docinho e ela deu um miado bastante alto, que até me assustou.

Não aconteceu nada com ela, mas nas horas seguintes, ela se comportou como se estivesse magoada, zangada, revoltada com o que aconteceu e não aceitou meus convites para pular no meu colo, não atendeu minhas ordens e ficou muito na dela, só vindo a reestabelecer aquela convivência normal do dia-a-dia comigo, no dia seguinte.

O fato se repete quando dou banho nela.
Fica furiosa comigo porque demonstra isso.

Tive quando garoto, alguns cachorros também que eram de uma inteligên
cia fora do comum, adivinhavam meus pensamentos.
(na foto, Docinho e sua filha Pingo)

Afinal, até onde esses animais - cãe e gatos - são irracionais, mesmo?

(Boy, pai de Pingo, repousando depois de uma noite de farra)

Método Eficiente se Consolida Automaticamente


Yara era uma moça morena de algo em torno de trinta anos de idade.
Digamos assim, não perfazia o meu modelo stander de beleza, mas era muito inteligente.
Inteligente e competente.
Por um desses caprichos do destino, ela veio a ser minha chefe.
Meu padrasto arrumou-me o primeiro trabalho de carteira assinada de minha vida com amigos e fui ser um novato absolutamente inexperiente auxiliar de escritório na administração de uma conceituada instituição local.
Do alto dos meus 14 anos, eu tinha uma inconveniência que logo cedo me levaria a conhecer os dissabores da vida.
Era muito sincero com as pessoas próximas.
E ninguém era mais próxima de mim, do que a minha chefe.
Conquistei, portanto, merecidamente a antipatia dessa jovem mulher, num belo dia quando disse a ela, sem a menor cerimônia, que eu a admirava e respeitava muito e a considerava muitíssimo competente, fato este pelo qual considerava absurdo e completamente dispensável ela ficar fazendo fuxico da Diretora.
Aliás, ela poderia, sem maiores problemas, vir a substituir a Diretora, assim que houvesse uma oportunidade, sem precisar ficar difamando a mulher e nem forçando a situação.
Pronto.
Ganhei uma grande e inexorável inimiga.
Ela foi, no dia a dia do trabalho, retirando minhas tarefas uma a uma, até que fiquei sem nada para fazer.
Na terceira visita que o diretor geral da bagaça fez ao escritório e me pegou parado, chamou-me e a ela para uma conversa reservada no consultório dentário, que estava desocupado no momento.
Aos berros, ele falou que a instituição não estava para sustentar vagabundo e que eu estava demitido.
A divisória do gabinete era de alvenaria, mas não ia até o teto.
Todo o escritório ouviu o sabão.
Fui chorando para casa e em casa, foi outro drama para explicar coisas que eu não entendia direito como isso de malícia e esperteza, mas especialmente de maldade.
Senti muita raiva de Yara, porque ela não movera um dedo para me defender junto ao diretor.
Mais tarde, compreenderia que era obra dela, tudo aquilo.

Fui profético. Anos depois, não muitos - Yara era a Diretora, como queria.

Um belo dia, a rádio da cidade noticia uma tragédia.
O noivo de Yara tinha entrado com seu carro sob um caminhão e morrera com a cabeça decepada.
Foi um choque.
Senti então, algo diferente por Yara.
Um misto de compaixão e piedade.
Ela amava muito aquele rapaz.
Imaginei o seu sofrimento.

Mais tarde, encontrei um amigo comum e ele, dentre outros assuntos, comentou:
"-Nossa, você viu o que fizeram com a Yara?"
Eu neguei, estava alheio a tudo naquele momento, mergulhado num projeto de trabalho.

Pois é, disse o amigo.
Fizeram uma grande sacanagem com a coitada.
Foram tirando atribuições dela, tirando, tirando e quando ela estava totalmente sem nada para fazer, o diretor chegou, a pegousem fazer nada, deu um tremendo dum sabão nela e a demitiu desonrosamente.
Isso não se faz!

Não se faz mesmo, respondi.
Mal sabia o meu amigo, com que propriedade eu dissera isto.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Riquezas Naturais


" Nunca pensei que a partir dos 40 pudéssemos ter uma riqueza tão grande ! Prata nos cabelos. Ouro nos dentes. Pedras nos rins. Açúcar no sangue. Chumbo nos pés. Ferro nas articulações. Catarata nos olhos, e uma fonte inesgotável de gás natural."
Quem ainda não é rico, prepare-se ! Sua vez vai chegar !

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Novidadeirismo


Estava vendo a data da publicação no jornal O Globo dessa pérola de Cristóvam Buarque.
Ano de 2000. De lá para cá, quanta água passou por debaixo da ponte!
Mas o valor do que foi dito nesse artigo, não diminiuiu nem um pouco, só aumentou.

A propósito, estava lembrando de uma conversa com meu chefe, tempos atrás.
Ele me disse que determinado assunto estava velho, com a intenção de dizer que eu deveria cuidar de assuntos mais recentes.
Aí eu fiz a seguinte observação:
"-Ainda bem que vc não está na Itália e não apita nada por lá. Imagino que se pudesse, iria pretender reformar a antiquíssima Capela Sistina e substituir aqueles afrescos seculares, por novíssima camada de pastilha reluzente."

Ele foi embora sem me reesponder. Acho que foi para não me dizer um palavrão.

Em redações de TV também existe no ar um cinismo latente, quando se trata de classificar um assunto como obsoleto.

Não sei se dei azar nas televisões onde trabalhei, mas em todas (uma meia dúzia) havia uma preocupação atávica com a validade dos assuntos.

Em paralelo, havia "n" critérios para avaliar se um assunto 'morrera' ou não. Praticamente subjetivo e dependia do humor das chefias naquele determinado dia.

Pouco afeitos à figura da 'suíte' - uma espécie de continuação de matérias, justificadíssima quando o assunto é extenso e complexo, os chefes deixavam de lado assuntos importantes, apenas com a explicação sumária: "Demos isso na semana passada". E lá se ia a oportunidade de fazer o telejornal bombar.

Mas eu sempre esperava a minha vez e quando me deparava com uma pauta de evento anual, como o natal, p.ex., logo atacava em meio à redação fazendo em voz bastante alta um comentário parecido a este:

"- Nossa! Matéria sobre presépio animado! Mas a gente não fez essa matéria no natal passado? Eu me lembro. Fica mais fácil fazer um reaproveitamento, devemos ter isso no arquivo. "

Porque na verdade, tirando a cara dos protagonistas, as pautas, os enfoques e as matérias eram totalmente iguais, apenas o ano era diferente. Papai Noel que o diga.

Mas aí, o 'novidadeirismo' das chefias era esperta e devidamente desligado. E ninguém dizia, descartando a possibilidade de execução da pauta: "-Ah, esse assunto a gente já abordou."

domingo, 15 de maio de 2011

Relâmpago no Brasil Fotografado da Estação Espacial (NASA)




Cristóvam Buarque e a Amazônia


A internacionalização do mundo

O Globo – 10/10/2000

“Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.
Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tempos Modernos: Tente imaginar Superman se trocando num tótem público...


Se eu fosse as companhias de telefonia, substituiria todos os telefones públicos, por totens públicos.

Fazendo a mesma coisa que o telefone, mas em VOIP (voz sobre IP) com áudio e vídeo, com possibilidade de navegar na Internet.

Como existe muita depredação, os realocaria da rua para estabelecimentos comerciais, áreas comuns de prédios, bancas de jornais ou outras áreas mais protegidas.

E as pessoas fariam da mesma maneira que hoje: comprariam um cartão magnético de crédito para usar os totens.

Em alguns locais melhor protegidos e mais movimentados, poderia haver até impressoras e scanners, bem como gravadores de DVD.

Ou seja, as teles teriam uma fonte de renda muito interessante, num nicho onde hoje, por causa da depredação, ela só tem prejuízo, mesmo porque os celulares praticamente substituiram os telefones públicos, o que deve ter reduzido drasticamente a utilização dos mesmos e, por conseguinte, a sua produtividade.

A grande vantagem, é que elas não precisariam trocar tudo de uma vez, mas poderia fazer aos poucos, modularmente, em áreas de maior interesse primeiro, para garantir rentabilidade.

Se algum boss de tele estiver lendo agora, por favor, fique à vontade: não vou cobrar nada pela idéia, tá escrito aqui isso, pode usar: é "de grátis".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A DOR QUE REVELA CARÁTER

Não sei se o conteúdo deste texto é verdadeiro. Recebi por e-mail, do bom e velho amigo Dr. Oswaldo Catan. Mas pelo contexto, creio que sim. Desde menino, tive contato com imigrantes e filhos de imigrantes japoneses. Portanto, conheço não muito, mas o suficiente para fazer desta publicação minha homenagem singela às vítimas de Fukushima e, por extensão, ao povo japonês.

(A carta a seguir foi escrita por Ha Minh Thanh, um imigrante vietnamita que é policial em Fukushima no Japão, a seu irmão, mas acabou chegando a um jornal em Shangai que a traduziu e publicou. )


Querido irmão,

Como estão você e sua família? Estes últimos dias tem sido um verdadeiro caos. Quando fecho meus olhos, vejo cadáveres e quando os abro, também vejo cadáveres. Cada um de nós está trabalhando umas 20 horas por dia e mesmo assim, gostaria que houvesse 48 horas no dia para poder continuar ajudar e resgatar as pessoas.

Estamos sem água, eletricidade e as porções de comida estão quase a zero. Mal conseguimos mudar os refugiados e logo há ordens para mudá-los para outros lugares.

Atualmente estou em Fukushima – a uns 25 quilômetros da usina nuclear. Tenho tanto a contar que se fosse relatar tudo, essa carta se tornaria um verdadeiro romance sobre relações humanas e comportamentos durante tempos de crise.

As pessoas aqui permanecem calmas – seu senso de dignidade e comportamento são muito bons – assim, as coisas não são tão ruins como poderiam. Entretanto, mais uma semana, não posso garantir que as coisas acabem chegando a um ponto onde não poderemos dar proteção e manter a ordem de forma apropriada.

Afinal de contas, eles são humanos e quando a fome, a sede se sobrepõem à dignidade, farão o que tiver que ser feito para conseguir comida e água. O governo está tentando fornecer suprimentos pelo ar enviando comida e medicamentos, mas é como jogar um pouco de sal no oceano.

Irmão querido, houve um incidente realmente tocante que envolveu um garotinho japonês que ensinou a um adulto como eu, uma lição de como se comportar como um verdadeiro ser humano.

Ontem à noite fui enviado para uma escola infantil para ajudar uma organização de caridade a distribuir comida aos refugiados.

Era uma fila muito longa e notei, no final dela, um garotinho de uns 9 anos que usava uma camiseta e um short.
Estava ficando muito frio e fiquei preocupado se, ao chegar sua vez, poderia não haver mais comida. Fui falar com ele. Ele contou que estava na escola quando o terremoto ocorreu.
Seu pai, que trabalhava perto, estava se dirigindo para a escola para apanhá-lo e ele, que estava no terraço do terceiro andar, viu quando a onda tsunami levou o carro com seu pai dentro.


Perguntei sobre sua mãe e ele disse que sua casa era bem perto da praia e que sua mãe e sua irmãzinha provavelmente não sobreviveram. Notei que virou a cabeça para limpar uma lágrima quando perguntei sobre sua família.

O garoto estava tremendo. Tirei minha jaqueta de policial e coloquei sobre ele. Foi ai que a minha bolsa de bentô (comida) caiu. Peguei-a e dei-a a ele dizendo: “Quando chegar a sua vez a comida pode ter acabado. Assim, aqui está a minha porção. Eu já comi. Por que você não come”?

Ele pegou a minha comida e fez uma reverência. Pensei que ele iria comer imediatamente, mas ele não o fez. Pegou a comida, foi até o início da fila e colocou-a onde todas as outras comidas estavam esperando para serem distribuídas.


Fiquei chocado. Perguntei-lhe por que ele não havia comido ao invés de colocar a comida na pilha de comida para distribuição.
Ele respondeu: “Porque vejo pessoas com mais fome que eu. Se eu colocar a comida lá, eles irão distribuí-la mais igualmente”.


Quando ouvi aquilo, virei-me para que as pessoas não me vissem chorar. Uma sociedade que pode produzir uma pessoa de 9 anos que compreende o conceito de sacrifício para o bem maior, deve ser uma grande sociedade, um grande povo.

Bem, envie minhas saudações à sua família. Tenho que ir, meu plantão já começou.


Ha Minh Thanh



sábado, 30 de abril de 2011

A Gota e o Oceano. (by Pedrão)


Um dia, a gota decidiu englobar o oceano. E na sua imensa sabedoria, a natureza pretendeu explicar à gota, que ela era a parte mais importante do mar, que em si só, continha todas as suas características! Aliás, que ela era o próprio oceano. Mas que jamais poderia conter todo ele em si, apesar de sê-lo em sua plenitude. Atingida em seu brio, contrariada em sua vontade, a preciosa, mas geniosa gotinha, resolveu romper com todos esses princípios tolos que envolvem as praias, as ondas, a superfície do mar e disse bem alto, para que se ouvisse até do outro lado do mundo: "Eu não acredito em Oceano!"

sábado, 23 de abril de 2011

Vamos conseguir!

Uma boa escola, talentos abundantes, aproveitamento humano, plena aplicacao de potencial intelectual, um acerto aqui, outro acola e pronto. Nasceu a Embraer, filha legitima do ITA de Sao Jose dos Campos.

Entrando em um nicho que era desprezado pela industria aeronautica norteamericana e europeia, o Brasil se consolidou como um dos mais confiaveis fabricantes de aeronaves comerciais de pequeno porte para aviacao regional em todo o mundo, passando, definitivamente, a antiga "dona" desse mercado, a canadense Bombardier, para tras.

Esse caminho e de uma arquitetura infalivel. Se quisermos conquistar espaco em Tecnolgia da Informacao, p.ex., teremos necessariamente que ter boas escolas formando esse contingente que ira inserir o Brasil nesse contexto.

A formula e simples, objetiva, conclusiva e praticamente infalivel. A construcao civil sofre a falta de engenheiros, porque os jovens nao estao se interessando pela profissao e tambem porque o incentivo a formacao academica nessa area, e bem sutil, se e que existe.

Isso se aplica a outras areas da atividade nacional.

Primeiro, temos que ter escolas suficientes em todos os niveis. Depois, ter boas escolas. Em seguida, ter um programa de formacao e aperfeicoamento de professores com claro e inequivoco incentivo do governo.

E financiar para valer os estudos de nossos jovens, sem essa timidez dos programas abertos ate hoje, que mais servem para desiludir do que para incentivar.

Nao e possivel que pagando em impostos 40 por cento de tudo o que produzimos - o governo nao tenha de onde tirar dinheiro para isso. Ate para salvar da bancarrota banco falido, tem fundo especial!

E preciso tambem, uma injecao de animo no cidadao brasileiro, que anda com o amor proprio e com a autoestima assim, meio que avariados.

O Brasil conseguiu se sobressair na industria aeronautica, porque esses fatores assinalados acima, foram de uma maneira ou de outra, perseguidos no Vale do Paraiba.

Agora, precisamos distender o que deu certo ali, para outras areas do conhecimento e da atividade humana no pais.

Isto feito, teremos, finalmente, dado o primeiro passo para levantar o gigante de seu berco explendido.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Morrer de Amor


Entrevistou o marchal Tito, na ex-Iugoslávia.

Cobriu fatos e conflitos em todo o mundo.

Foi correspondente internacional do então poderoso sistema de comunicação de Assis Chateaubriand, passando bom tempo em Nova York fazendo matérias para a Rede Tupi de Televisão.

Teve grande furos de reportagem publicados na revista O Cruzeiro.

Esse, um modesto perfil do meu amigo.

Passando férias em minha pequena cidade natal, encontrei-o, aposentado, na praça da matriz, sentado com amigos num banco da praça.

Zé Carlos era um contador de histórias.

De vasta cultura, homem muito viajado, era uma enciclopédia ambulante e todos gostavam de escutá-lo.

Mas aquela convivência daqueles dias, me deu um outro perfil do homem.

Por trás daquele falante, havia um solitário.

Divorciado, morava só em uma bela casa, muito bem equipada com todo conforto, tinha um bom carro, uma excelente aposentadoria.

Se dava ao luxo até de pagar uma linda e jovem secretária para cuidar de suas coisas.

Um domingo, me convidou para almoçar em um excelente restaurante de uma cidade vizinha. Dar um passeio, explicou.

Naquela época, eu fumava uns dois ou três maços de cigarros por dia e o Zé a toda hora, me pedia para cheirar o meu cigarro.

E cheirava, cheirava, enquanto explicava toda vez: você sabe, meu médico me disse - ou você pára de fumar, ou morre. Preferi o mais razoável, mas rapaz! que vontade que eu sinto! Não passa nunca!


E a gente ria.

Em toda a nossa conversa, acabei sabendo que o meu amigo jornalista tinha uma paixão.

Era uma paixão secreta, que ele não contava prá ninguém.

Ele tinha todo um cuidado em observá-la de longe, pedir a certas pessoas para vigiá-la, contar onde foi, o que fez.

Eu achava muito divertido, um senhor como o Zé Carlos, ter essas atitudes e posturas juvenís.


Ele adorava ouvir Luciano Pavarotti cantar Caruso, que na época , fazia muito sucesso por fazer parte de trilha de novela da TV.

O Zé Carlos ouvia e dizia que um dia, iria ouvir com sua amada, juntinhos...


As minhas férias acabaram, voltei para São Paulo e fiquei afastado uns dois anos.


Aproveitando uma folga e pelo tempo decorrido, resolvi voltar e passar uns dias na casa de meus pais.

Depois de uma noite muito bem dormida, desci até a praça e me alojei confortavelmente num banco, respirando o ar puro da serra e aproveitando a tranquilidade do lugar.

O pessoal foi chegando.

Em determinado momento, perguntei:

gente, alguém sabe do Zé Carlos?

Ao que um respondeu

- você não sabe? Faz quase um ano que ele morreu.


Fiquei pasmo.

Mas o que aconteceu, perguntei curioso.

Ah, ele passou mal e não resistiu. Também, voltou a fumar!


Dei uma desculpa e me afastei, indo para outro lado da praça.

Sentei noutro banco e fiquei matutando, até me tocar que o Zé Carlos havia dado cabo da própria vida. Se ele sabia por orientação médica que sua saúde pioraria gravemente se voltasse a fumar...

Ele era informado o suficiente para não se iludir de que se voltasse a fumar não iria ter sérios problemas. Não, ele não correria esse risco.


Dias depois, veio a confirmação em uma frase lacônica, solta no meio de uma conversa, proveniente de um amigo comum:

Ah, o Zé Carlos não admitia, mas ele era apaixonado pela ex-mulher e ela definitivamente não queria mais saber dele.

Agora, toda vez que ouço Pavarotti cantando Caruso, me lembro do Zé Carlos, que Deus o tenha!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Chaplin e a Vida


"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?" (Charles Chaplin)


Pensamento

O covarde só ameaça quando se acha em segurança. (Goethe)

Foco no problema e foco na solução


Quando a NASA iniciou o lançamento de astronautas, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para resolver este problema contrataram a Andersen Consulting (hoje Accenture). Empregaram uma década e 12 milhões de dólares desenvolvendo uma caneta que escrevesse com gravidade zero, ao contrário e de ponta cabeça, debaixo d'água, e em praticamente qualquer superfície, incluindo o cristal , e em variações de temperatura desde abaixo de 0 até mais de 300 Celsius... Já os russos, utilizaram um lápis ...


[txt from: http://www.jhendrix.net/girlsinboots/weblog/]

VOLTA, MARIA!

Um rapaz esquálido, barba por fazer, olhar triste está parado do lado de fora da porta do escritório. Ele fala baixo. Tem uns papéis na mão. Mostra um, todo amarfanhado. Tem uma foto de uma mulher e um texto. O rapaz explica que está à procura da irmã. Desapareceu em Diadema, dia 11. Está preocupado, porque ela "tem problema de cabeça" e não levava agasalho. "-O sr sabe como é. Está chovendo, fazendo frio de noite. Eu tenho medo de que minha irmã esteja passado um mau bocado."

João quer cópias xerox do cartazete formato A4 que traz consigo. No escritório da frente foram generosos e, entendendo que ele é pobre e não pode pagar, deram-lhe uma cópia. Há muitos escritórios no centro. Ele espera conseguir várias cópias até o fim do dia.
Meu velho e combalido coração dói ao ver aquilo. Não tenho irmã, muito menos deficiente mental. Mas imagino como seria se tivesse e ela sumisse um dia. Compro a briga. Digo a ele: "- O senhor se importa em deixar esse original comigo? Aqui no escritório a economia tá braba, não dá para fazer muitos, mas em casa tenho uma impressora, tinta e papel. Posso fazer uns 100 cartazetes desses sem probema, mas só para segunda-feira." Era sexta. Os olhos dele brilharam e esboçou um sorriso. Topou. "- Moro no centro, aqui pertinho e vou fazer os cartazetes para o senhor. "

Meu destempero emocional já se revela de cara. São 3 telefones com 3 nomes de parentes para informações. Já começo fazendo 50 cópias de cada, um telefone por série. Aí eu penso que o João poderia não gostar. Faço mais 150 com os tres telefones juntos. Total, 300 cartazetes. Ligo para avisar que estavam prontos. João não tem fita adesiva para afixar os cartazetes nas ruas de Diadema. Vou à papelaria e compro tres rolos de 50 m de fita adesiva e coloco tudo na pasta. Agora, Maria vai ser encontrada e vai voltar.
Entregue o serviço, esqueço tudo, há muito trabalho a ser feito no escritório. Na semana seguinte, me interno no Hospital para retirar um catéter do rim.

No meio da tarde, a minha filha liga. "-Pai, você não vai acreditar. Eu estou a duas quadras daqui de casa e encontrei a Maria."

- O quê?

- encontrei a Maria, pai. A mulher do cartaz. Ela estava parada na rua aqui perto de casa. Tenho certeza que é ela.
- Não é possível!

- É ela sim.

- Pergunte a ela se o irmão dela se chama João. (momento)

- Pai, ela tá dizendo que um irmão se chama João e o outro Paulo.

- Então pode ser ela mesma. Tem um posto policial aí na esquina. Leva ela até lá e vá até em casa, abra meu computador e verifique os números dos telefones dos familiares, anote e traga para os policiais.

- Tá, pai. Tou indo. Beijo.
- Beijo.

Meia hora depois, a "Maria" está entregue aos policiais e a minha filha volta ao trabalho.

Ela encontrara a mulher que poderia ser a Maria porque fora ao banco fazer um depósito para a firma onde ela trabalha.

No dia seguinte, o João me liga.

"- Seu Pedro, quero agradecer a sua filha por ter encontrado a Maria. Ela já está em casa e está bem."

Meu coração gelou e o queixo caiu. Afinal, essa história está mais para enredo de novela mexicana do que para a realidade.

Absolutamente inverossímil. Mas aconteceu. Parece que alguém do lado de lá percebeu que a pessoa mais interessada na volta de Maria depois dos familiares era eu. Sinceramente. Sem nenhum interesse outro senão o bem estar dela, a quem nunca vi.
Então resolveram que, num conglomerado de 29 municípios com mais de 19 milhões de habitantes, a Maria fosse encontrada no centro de São Paulo, a muitos quilômetros de Diadema e ao lado de minha casa - e para o cúmulo da coincidência, por minha filha. Pois é. Fato verídico, apesar das aparências.




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Seção:
stupor
mundi furorem









Pensamento

"Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência." (Arthur Schopenhauer )

Fahrenheith 451


A vida está cheia de supresas surrealistas. Até os modelos e dados aparentemente mais HARD são frequentemente baseados em suposições SOFT, sobretudo quando estes se relacionam com assuntos humanos. (...) A caracteristica verdadeiramente revolucionária do conhecimento é que pode ser apreendido também pelos fracos e pelos pobres. O conhecimento é a fonte de poder mais democrática, o que o torna uma ameaça contínua para os poderosos. [in "Powershift" - Alvin Toffler ]

domingo, 17 de abril de 2011

Governo Digital, Povo Analógico.



Os governos estão perdendo uma formidável oportunidade de democratizar o acesso do cidadão a informações oficiais que já sejam de domínio público e mais: evitar o indefectível desgaste do interessado nos casos de atendimentos que dispensem o caráter presencial.

Não falta tecnologia, não falta infra-estrutura. Falta apenas mentalidade, vontade política e visão administrativa, não exatamente nesta ordem. A postura dos governos com relação ao cidadão, em termos de comunicação, está ainda na idade do bronze, com a exposição de informações governamentais em portais na Internet. Isso pressupõe que cada indivíduo, cada morador de uma cidade, tenha um computador em casa, o que, efetivamente, anda bastante longe da verdade. Por outro lado, existem algumas iniciativas isoladas de marcação de atendimento por telefone em diversos setores do seviço público em seus vários níveis. Oras , isso pode ser muito mais simples e ao mesmo tempo, muito mais sofisticado!

Se, em cada espaço público, através da rede de telefonia fixa, e/ou ainda conjugando a conexão por terminais em Wi-Fi e redes em WiMax, houvesse um ponto de acesso do cidadão ao sistema governamental, cujo cadastro teria seus dados pessoais e um nome de usuário e senha, seria muitíssimo mais fácil não só escutar a voz do cidadão, levantar estatísticas até para redirecionar procedimentos na área de políticas públicas, mas também encaminhar soluções pontuais, o que é extremamente importante, numa época em que a pessoa comum se sente massivamente órfã dos poderes legalmente constituídos em todos os níveis e de todas as formas. E esses poderes poderiam se unir, para esse tipo de atendimento, uma vez que há problemas distintos em cada esfera de governo, cujas vítimas são as mesmas pessoas. Não existe cidadão federal, estadual ou municipal. Existe cidadão e só.
Agendar consulta médica, exame laboratorial, sem ter que passar pela sempre vexaminosa fila dos hospitais. Saber sobre a Nota Fiscal Paulista. Pedir uma informação sobre determinada obra publica sob responsabilidade de uma Subprefeitura. Informar-se sobre uma Operação Urbana. Pedir um levantamento do INSS. Falar com a Receita Federal. O rol de exemplos de atendimento possível através de terminais eletrônicos com áudio e vídeo em próprios municipais, estaduais e federais, se estende a um numero próximo ao infinito. Isto, sem pretender que a faixa mais pobre da população, compre "na marra" o seu computador, para ter esse tipo de contato com os poderes públicos em casa, endividando-se até o pescoço nas lojas de eletrodomésticos que atuam em informática.



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